quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Faxina no Baú


Hoje é dia de faxina! No baú e na alma...

Dia de queimar o passado sem nehuma importância
Sentimentos mofados, idéias empoeiradas
Coisas que nem lembrava mais
Pessoas que se perderam sem volta
Frases que não consigo mais ler
 
Quero esvaziar o coração...
 
Quero abrir espaço para o novo
Guardar? Só o que amo
Renovar? As esperanças
Desejar? Só o melhor, e sempre!
 
Que venha 2010! Que seja o melhor!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O amor nos tempos do cólera



Pode um amor não-correspondido durar cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias?

Partindo da história real de seus pais, Gabriel Garcia Márquez fala do amor de Florentino Ariza por Fermina Daza, em um livro que conta com versão para o cinema. Segundo o próprio autor, foi um livro escrito com suas entranhas...
Separado de sua amada, primeiro pelo pai da moça, e depois pelo casamento dela com Juvenal Urbino, ilustre médico que venceu o cólera; o obstinado Florentino Ariza desenvolve um verdadeiro Tratado do Amor. Meio século de espera, solidão, angústias, prazeres, triunfos e doenças, sem deixar de pensar em sua amada um único instante. Um amor que encontra seus protagonistas septuagenários, após a viuvez de Fermina, vencendo as barreiras da idade e se tocando pela primeira vez.

Do amor e outros demônios


Ao acompanhar a demolição do Convento de Santa Clara, em Bogotá, para uma cobertura jornalística, Gabriel Garcia Márquez revive uma lenda contada por sua avó. Durante a abertura dos túmulos para remoção dos restos mortais de freiras e personalidades enterradas na igreja do convento, ele se depara com a cripta de uma menina, cuja cabeleira ruiva media 22 metros de comprimento.
Começa assim a história de amor entre um padre e uma menina supostamente possuída pelo demônio. A trama mistura feitiçaria, religiosidade cristã e cultos africanos, tendo como pano de fundo a intolerância da Santa Inquisição.
Traço marcante das obras de Garcia Márquez, a solidão está presente em suas mais diversas formas. Seja na Casa-Grande decadente, no manicômio de mulheres ou no convento fantasmagórico, onde cada personagem segue sozinho a sua cina.

sábado, 26 de dezembro de 2009

A cicatriz no joelho


Na noite de Natal fui surpreendida em um determinado momento por uma mãozinha curiosa sobre o meu joelho esquerdo. A pergunta veio sem rodeios - que machucado é esse? Na verdade, a menininha observadora e curiosa estava passando os dedinhos sobre uma das muitas cicatrizes adquiridas na minha infância. Expliquei que aquela, especificamente, tinha sido provocada por uma bolinha de árvore de Natal, de um tipo que ela nunca conheceria, e que era feita de um vidro muito fininho. Exercendo a curiosidade sem fim, típica da idade dela, quis saber todos os detalhes daquela aventura...

Fui obrigada a remexer bem fundo no meu bauzinho e resgatar um Natal de quase trinta anos atrás... Contei a ela que, naquele tempo, eu mesma fazia a árvore de Natal, e fui surpreendida por uma carinha desconfiada. Expliquei que a minha árvore, nada mais era que um galho seco, o mais ramificado que eu encontrasse, no qual eu enrolava camadas e camadas de algodão para imitar a neve. Depois de nevado, o galho era preso em um vaso com terra e enfeitado com as bolinhas multicoloridas e muito perigosas para uma menina pequena. Estava pronta a minha árvore.

Como percebi o interesse crescente naqueles olhinhos atentos, resolvi contar a ela que eu fui uma menina de uma época antes da Internet, do celular e até mesmo do controle remoto. Embalada por uma risada de puro divertimento, contei a ela que os telefones tinham fios e eram discados, num disco mesmo. Que a televisão era preto e branco e a gente colocava uma tela na frente, cheia de colunas coloridas, para fingir que tinha cor. Falei que eu ouvia discos de vinil coloridos e fitas cassete, e tentei convencê-la de que apesar de toda essa "precariedade" eu fui uma criança muito livre e feliz, que ia para a escola à pé e sozinha, andava de bicicleta por todo o bairro e "trabalhava" como babá quando ainda tinha idade para ter babás. Passava horas sozinha, brincando de boneca, pulando amarelinha ou elástico. Quando estava com os primos e amigos, fazia cabaninhas no quarto, brincava de polícia e ladrão e transformava o meu quarteirão no melhor lugar para partidas intermináveis de queimada, mãe-da-rua e rouba bandeira.

Depois de explicar à minha inquisidora todas as regras dessas brincadeiras, cruzei com um olhar de dúvida e me sentí na obrigação de dizer a ela que sua infância é muito mais legal que a minha. O que eu não daria para poder conversar com as minhas amigas pelo computador?

Infelizmente, não tive como não pensar no quanto as crianças de hoje são pressionadas e competitivas, e em como as meninas são induzidas a crescer bem mais depressa, tornando-se mulheres antes do tempo...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Recompensa



O QUE FAZ COM QUE TUDO VALHA A PENA...

O excesso de trabalho
A falta de tempo
O excesso de ansiedade
A falta de sono
Tudo isso fica pequeno quando essa revista, feita com todo o meu amor e dedicação chega da gráfica, ainda quente e com cheiro de tinta fresca.
Obrigada Deus!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sorri



Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Memórias do Bauzinho...




Saudades daquela vidinha simples em que complicado era curar dor de barriga, coisa que se fazia com chá de casca de goiaba. Era um tempo de pegar piolho, que a mãe tirava com pente fino, e bicho de pé que tinha que sair inteiro para não espalhar os ovos. Tempo de vestir roupa de anjo para a coroação e de acompanhar procissão na semana santa. Tempo de tomar banho de rio e de passar ferro de brasa na cama para espantar a friagem. Tempo de férias na roça...


Imagine certa manhã em fins de novembro. Malas prontas para a longa viagem de 110 km com destino a uma cozinha de um velho casarão numa cidade de interior. A peça principal é um grande fogão a lenha, poleiro de meninos nos dias frios; mas também há uma grande mesa retangular com umas 20 cadeiras e uma porta que dá para a despensa, um paraíso com cheiro de fruta, carne defumada e fumo de rolo.

Uma mulher, de cabelos muito pretos para uma avó, está parada diante da porta da tal cozinha. É baixinha e vivaz como uma galinha garnisé. O rosto, tingido pelo sol e marcado pela vida, se ilumina ao ver chegar uma menina. Ela está olhando para mim. Tenho seis anos; ela sessenta e tantos. Somos avó e a neta preferida, pelo menos é o que ela sempre me dizia. Um a um, todos da casa emergem e eu me perco em meio a tantos abraços, beijos, broas, queijos e planos para dois meses de alegria plena...

Os dias começavam muito cedo com o ronco do Jipe que indicava a partida do meu avô para a fazenda. Deus ajuda quem cedo madruga, e para acompanhar aquele homem severo com coração de menino, era preciso madrugar. Melhor era esperar ele voltar para o almoço, pontualmente às "10:30 da manhã", e ir para a fazenda às "11:30 da tarde"... Assim eu podia acompanhar o despertar das princesas dos meus contos de fadas – minhas jovens tias. Seis lindas Marias, dividindo o grande quarto, disputando o chuveiro para o banho, o espelho para a maquiagem. E eu extasiada, sonhando com aquele futuro esplendoroso...

Os tios, todos Josés, dormiam no andar de baixo e a guerra dos sexos era travada em volta da mesa do café. Nessa hora, chegava o Jipe, dirigido pelo Nô, trazendo os latões de leite que alimentavam a família e dezenas de pessoas que surgiam pela porta da rua, trazendo as leiteiras de alumínio. Como eu gostava daquela rotina de gente simples...

As comidas eram um capítulo a parte. Era um tempo de carne de panela, conservada na lata com banha de porco, e de limonada com bicarbonato para parecer refrigerante. Os enfeites ainda não estavam na moda e o máximo era a maçã na boca da leitoa. Tinha pinhão assado, milho verde cozido, doce de figo e cidra, e queijo Minas feito em casa todo santo dia.

Mas, todas as minhas fantasias de menina giravam mesmo era em torno da fazenda. Era onde meu anjo da guarda não tinha sossego, pois as idéias dos primos eram sempre mirabolantes. Montar cavalo bravo, construir um barco para atravessar o rio, atiçar e correr do touro Holandês... Era um tempo de galinhas sem galinheiro, que botavam ovos em ninhos colocados nos troncos das árvores, e de beber leite tirado na hora. Era onde eu me sentia tão quente e faiscante quanto a lenha que ardia no fogão, e tão livre quanto a fumaça da chaminé...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Para Gabriel e Lucas

Dois anjinhos que resolveram chegar ao mundo antes da hora... 
Que o anjo da guarda esteja sempre pertinho deles, e que possamos tê-los conosco o quanto antes.




Santo anjo do Senhor meu zeloso guardador
Já que a ti me confiou a piedade divina
Sempre rege, guarda, governa, ilumina,
Amém

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Beija eu...

Sou apaixonada pelas ilustrações do meu conterrâneo Rogério Fernandes. Tenho duas enormes na sala de casa e gostaria de ter muitas outras.
Essa série de beijos foi produzida para a campanha de Dia dos Namorados do Diamond Mall.
Simplesmente apaixonante...









segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Arca de Noé do G8



Sobre o filme "2012"


2012 Retardados

Luiz Felipe Pondé (Folha de SP)

O filme "2012", de Roland Emmerich, é um lixo da geração Obama.


Filmes-catástrofe são fracos, servem para tardes chuvosas de domingo, recheados com cama, chuva e preguiça, ao lado de alguém com quem você gosta de ficar na cama abraçado. Além, é claro, do fato de que o ano "fatídico" 2012 é uma maldição do povo maia, essa "grande civilização" que fazia sacrifícios humanos.

Além dos clichês mais banais de filmes-catástrofe (cientistas bonzinhos, autoridades malvadas, presidentes americanos solidários, famílias despedaçadas que se reúnem em meio ao caos, vinganças da deusa natureza contra o dinheiro -aquele mesmo que todo mundo quer no bolso), "2012" acrescenta a palhaçada do politicamente correto. Isso sim é o fim do mundo.

Leitores me perguntam por que essa palhaçada me irrita tanto. Respondo: porque é coisa de retardado.

Nós não vamos morrer todos afogados em grandes ondas do mar, nem em labaredas vulcânicas, nem com a gripe da porca (H1N1). Nosso espírito sim vai sufocar sob a bota do fascismo retardado do politicamente correto.

Sempre temo que, sem Clint Eastwood, o cinema dos Estados Unidos afunde na "catatonia do bem" retardado.

Como essa "catatonia do bem" piora o já terrível "2012" (cheio de interpretações sofríveis, salvo o "profeta" Woody Harrelson, roteiro sem pé nem cabeça, soluções ridículas para os personagens)?

Antes de tudo, vale salientar que a temática apocalíptica tem seu peso no imaginário. A ideia do fim do mundo espreme os seres humanos contra a força de questões essenciais como "o que fizemos com nossas vidas?", "como chegamos a essa situação?", "como perdemos tanto tempo com bobagens?".

É aí que o retardamento mental do politicamente correto estraga tudo: ele responde as questões de uma forma mais infantil do que cartinhas de crianças para o Papai Noel. E a força do drama humano se dissolve no ácido da estupidez.

É claro que o cientista bonzinho é um anjo negro. Não o anjo negro do Nelson Rodrigues, que tem as vísceras de quem de fato sofre e de quem padece da maldição de ser homem, mas o anjo negro da geração Obama, cujos intestinos digerem não o bolo alimentar, mas as flores e as virtudes santas.

Ao contrário dos cientistas reais que correm atrás de dinheiro para pagar suas pesquisas e fazem qualquer negócio pra consegui-lo (com razão), esse se preocupa apenas com os pobres, claro, apenas os pobres dos países do G8.

O presidente, outro anjo negro, morre procurando o pai perdido de uma criancinha chorona. Sua filha (diga-se de passagem, uma deusa africana), só se preocupa com a salvação da arte universal.

A namoradinha do magnata russo canalha, que o trai com seu piloto particular (mas tudo bem...), em meio à destruição do mundo, confessa a outra mulher santinha: "Foi meu namorado quem me obrigou a pôr silicone, eu não queria". Mentira: qualquer pessoa não retardada sabe que as mulheres colocam silicone para que as outras invejem seus seios e para seduzir os homens, e não porque seus namorados as obrigam.

Evidentemente que os namorados usufruem, graças a Deus, e elas ficam mais bonitas e felizes.

O único "bad guy" (bandido) é um gordo branco preocupado com dinheiro, como todos nós. Mas claro que, no novo mundo dos retardados do bem, ninguém quer dinheiro, por isso a pérola que o anjo negro da ciência do bem diz: "Não devemos começar um mundo novo assim".

O mundo acaba. Os continentes afundam, menos a África, que, em vez de afundar, se ergue. Ora bolas, a África é o berço da humanidade, até faz sentido. Mas o mais importante é que, na geopolítica dos retardados, a África é o continente onde todo mundo é legal e vítima dos malvados brancos.

E aí vem o pior. Imagine um "loser" (fracassado), um escritor falido que ganha a vida sendo motorista de limusine. Agora imagine que ele ainda ama sua ex-esposa (a outra mulher santinha que citei acima). Imagine que essa ex-esposa o trocou por um médico bem-sucedido! Agora adicione o fato de que seu filho o despreza e adora o novo marido médico bem-sucedido da sua mãe. Depois imagine que, em meio ao fim do mundo, esse filho pentelho diz para o pai "loser": "Você deveria dar uma chance ao Gordon [nome do marido médico de sua mãe], ele é bem legal". E aí o infeliz marido trocado responde: "Eu vou tentar, meu filho".

No dia que um homem, nessa situação, concordar com um papo furado desse, de um filho pentelho, aí, sim, o mundo acabou.

domingo, 22 de novembro de 2009

Caim



Para quem achava que O Evangelho Segundo Jesus Cristo era a apoteose do ateísmo de Saramago, Caim é uma grande e boa surpresa.
Com o humor refinado e questionador, que é marca da sua obra, Saramago faz uma "releitura" do Velho Testamento, desde os Jardins do Éden até a Arca de Noé.
Caim, após matar seu irmão Abel, faz um trato com Deus e parte para uma aventura no tempo, recontando  várias passagens bíblicas como o quase-sacrifício de Isaac, a construção da Torre de Babel, a destruição de Sodoma e Gomorra e o Grande Dilúvio. Em todas essas passagens Caim desenvolve uma revolta contra a  "tirania" divina. Assim, quando convidado a embarcar na Arca de Noé para "ajudar" na reconstrução da humanidade, ele trava a mais terrível das guerras entre Criatura e Criador.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O que gostaria de dizer para algumas pessoas...




CADEIRA DE BALANÇO NO LUGAR DO DIVÃ
Fabrício Carpinejar



Certos amigos e amigas já usaram esse recurso cênico para explicar uma carência ou pontuar uma tristeza ancestral:


- É que não fui amamentado quando nasci.

Não suporto manha de mercado, muito menos crise infantil na meia-idade. Minha vontade é buscar um litro de leite e derramar num prato de sopa.

- Toma, toma até o fim!

Criança gosta de drama, adulto gosta de transformar o drama em trauma. É sempre uma desculpa lá atrás para fundamentar uma preguiça e esclarecer um vício.

As sutilezas, os detalhes, a normalidade, a rotina são esquecidos. Buscamos somente o estilete no estojo de madeira de nossa infância. Aquilo que corta. Deixamos os lápis coloridos sem nenhum uso. E olha que estavam apontados na última vez que os vi, em novembro de 1984. Psicologizamos em demasiado a memória, a ponto de somente lembrar o que tem impacto. Nossas dores nos tornam reacionários. O verdadeiro revolucionário é o que ultrapassa sua dor e mexe na alegria.

Tanto que não entendo como os terapeutas continuam usando o mesmo mobiliário de Freud: o divã, o abajur, a escrivaninha, a estante com livros. Igualzinho ao escritório do médico austríaco do princípio do século passado. Não há um decorador na psicologia?

Velho por velho, por que não colocar uma cadeira de balanço?

Não troco a cadeira de balanço pelo divã. Com o ritmo e o balanço, falarei bem mais do que deitado.

Cadeira de balanço é feita para amamentação. Minha mãe me acolheu em seu trançado de vime. Guardo até hoje em minha casa. Serviu aos meus filhos, servirá aos meus netos. Adequada para cólicas e para os choros. Deveria ser enquadrada como um brinquedo, constar na praça ao lado do gira-gira e do escorregador. Tem um andamento precioso de charrete. Criança não dorme mais fácil no carro? Cadeira de balanço é movimento enternecido, um pedalinho dos ventos.

Mas voltando ao início: o que me irrita na lamúria de quem não foi amamentado é que ninguém evoca a mãe.

A mãe é apagada dos problemas. Desculpa, a mãe torna-se o problema. É ela é que não amamentou. Parece que fez de propósito, careceu de vontade, de ânimo, de persistência.

Nas campanhas de saúde e prevenção, escuta-se a obrigatoriedade de dar o leite para seu filho.

É claro que toda mãe quer. Algumas não podem.

E quem pensa nelas? São menos mães?

A maternidade sofre nos meses iniciais em seguida ao parto. Recebe nas costas uma pressão social maior do que o casamento e o baile de debutantes juntos. Depois de superar a apreensão se a criança nascerá bem, arca com a ansiedade do primeiro aleitamento. Subirá leite? Terá condições de alimentar o bebê? Ela é normal?

Ao fracassar, é como se a criança a recusasse. Uma frustração seca. Sem raízes.

Na falta de leite materno, ofereça o colo para sua mãe. É ela que precisa.

domingo, 15 de novembro de 2009

O que fica da tempestade...

PRATINHO DO VASO
Fabrício Carpinejar



Fui numa floricultura comprar pratinhos de vasos.
Três pratos. De diferentes cores, de azulejo e barro.
O vendedor me considerou excêntrico pela modéstia do apelo. Procurou enfiar orquídeas olheira abaixo, dispensei os arranjos coloridos. Como uma abelha que não larga a lâmpada pela obsessão do sol. Logo me dispensou para o caixa, viu de cara que não tinha potencial aquisitivo. Ele apressou a interrogação do "só isso" e logo fechou a encomenda.
Estamos tão consumistas que nos desculpamos por comprar pouco (ou nada). Imagina o atendente perder tempo com a gente? Gentileza hoje é comissão. Idêntica culpa diante do motorista de táxi com a corrida curta. Quase suplicamos por favor, se ele pode nos levar. Não há mais pobreza genuína no mundo, unicamente pobreza disfarçada. O cartão de crédito fantasiou a miséria.
Não receio pedir pouco. O pouco é que me basta. O pouquíssimo transborda.
Eu me sinto essencial lembrando do desnecessário. Ouvindo o suspiro dentro do vento.
Ninguém dá valor ao pratinho das plantas que racha na mudança de lugar e não é reparado, muito menos reposto. Eu não vivo sem eles. É como faltar talheres para um membro da família.
É o pratinho de vaso que me mantém acordado. Deslumbrado pela sua fugacidade. Porque amanhã terei que me lembrar novamente. E depois da amanhã. E sempre.
O amor é o que não lembramos para continuar lembrando. Como pedir ao filho escovar os dentes ou insistir que faça os temas. Todo dia será exaustivamente igual: é uma atenção renovada, não exclusiva. Uma dedicação nula. Uma devoção secreta que não traz fama e reconhecimento. Coisas simples que não podem ser contadas ou glorificadas durante a semana. Que são apagadas no mesmo momento do ato. Não irei ao bar proclamar aos colegas de que dobrei as calças antes de sair e organizei as camisas pela antiguidade.
É o que me põe apaixonado numa mulher: o pratinho do vaso. O que é sem graça, o que somente protege, mas que é confidente das raízes. O quanto ela é capaz de estar ao seu lado sem que necessite imortalidade. O quanto me torno observador das inutilidades. Falei inutilidades, pois é, não errei a digitação, quem ama conserva as inutilidades. Os interesseiros e ambiciosos guardarão as informações essenciais como nascimento e medidas. Veja se um homem a quer quando se interessa porque aquilo que não gera interesse. O fútil é o fundamental. No momento em que o desejo não descobre o que é importante e preserva tudo.
O pratinho do vaso do relacionamento está em saber o xampu que ela usa, o restaurante preferido, o doce da infância, sua mania de comer aipim com mel, o azeite (não é qualquer um), as perguntas que detesta ouvir, como ela gosta de amassar o travesseiro, de que modo escolhe as roupas: se nua ou já com a lingerie, quais os insetos que tem medo, o que não pode deixar de assistir na tevê, o drinque preferido, os amigos da choradeira, os amigos do riso, o que toma no café da manhã, qual a fruteira de sua confiança.

O pratinho do vaso é o que fica da tempestade. Não tinha como explicar ao vendedor. Ele é que conhece as flores.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dos livros que eu li...


Mulher Lendo - Van Gogh

Breve resenha das minhas últimas leituras.

O Livro do Sal (Monique Truong) - Para ser devorado. Um livro delicioso, elegante e sensual. A cozinha serve de pano de fundo para as revelações fascinantes das lendárias Gertrude Stein e Alice B.Toklas, e de seu cozinheiro Bìhn que, durante cinco anos preparou aromáticos repastos para a Geração Perdida na Paris do final da década de 20.

A Peste (Albert Camus) - A cidade assolada pela peste bubônica faz lembrar a infecção do Nazismo. O indivíduo descobre, por meio do desespero, a necessidade absoluta do coletivo na luta contra a vida e a morte. Um clássico imprescindível.

Fantasma Sai de Cena (Philip Roth) -A velhice tratada com realismo impressionante em suas múltiplas facetas - a solidão, as doenças limitantes, os desejos frustrados, a morte. Faz pensar no inevitável futuro.

A Quarentena (Le Clézio) - Uma fábula sobre a potência do amor. Um navio é posto em quarentena em uma ilhota próxima a Maurício em função da contaminação de um dos passageiros por uma epidemia de varíola. Os passageiros Europeus se vêem obrigados ao convívio com escravos indianos, ficando entregues à própria sorte. Em meio à doença, ao medo e à revolta surge um amor lendário.

Peixe Dourado (Le Clézio) - "Oh, peixe, peixinho dourado, cuide bem de si! Porque são tantas as armadilhas, tantas as redes aramadas para você neste mundo..." Fala das aventuras e desventuras de uma menina raptada aos seis anos de idade e vendida para uma velha senhora na África do Norte. Com a morte de sua dona, inicia-se sua vida errante, permeada de agressões, abandono, aprisionamento até o retorno ao ponto de partida, a volta às origens.

O Perfume (Patrick Süskind)- Tanto o livro quanto o filme são motivo de severas críticas. Eu amei ambos! Uma metáfora fantástica da busca da perfeição, do poder e do amor. Fala da busca de Grenouille, dotado de uma imensa sensibilidade olfativa, pela essência perfeita, do perfume que o tornaria um homem completo e amado. Para isso, ele extrai, tal qual um perfumista, a essência do corpo de várias mulheres. Adorei particularmente o tão mal falado final que é a expressão dos desejos mais íntimos e intensos das pessoas.

Equador (Miguel Sousa Tavares) - Fala do português Luís Bernardo que, no início do século XX,  troca a sua vida boêmia em Lisboa por uma missão patriótica na colônia de São Tomé - uma experiência que muda seu destino para sempre. Minha única crítica é quanto ao final, muito óbvio.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Leitura inspiradora em tempos de H1N1

A Peste (Albert Camus)


“Irmãos, caístes em desgraça, irmãos, vós o merecestes”!
Com essas palavras o Padre Paneloux enche de pânico a assembléia já tão flagelada.
E continuou, num tom mais veemente: “Se hoje a peste vos olha, é porque chegou o momento de refletir. Os justos não podem temê-la, mas os maus têm razão para tremer. Por longo tempo, este mundo compactuou com o mal, repousou na misericórdia divina. Bastava arrepender-se, tudo era permitido. E para se arrependerem, todos se sentiam fortes. Chegado o momento, o arrependimento viria por certo. Até lá, o mais fácil era deixar-se levar; a misericórdia divina faria o resto. Pois bem! Isto não podia durar. Deus, que durante tanto tempo baixou sobre os homens desta cidade o seu rosto de piedade, cansado de esperar, desiludido na sua eterna esperança, acaba de afastar o olhar. Privados da luz de Deus, eis-nos por muito tempo nas trevas da peste!”

Nada melhor do que uma crise coletiva para revelar ao indivíduo acuado os valores não-individuais, a primazia do coletivo.



Um clássico...

Para mostrar que ele continua o mesmo. Ontem no Programa do Jô.


Sobre as baleias...

Eu tô pensando...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Memória



Saudade imensa, mãe...

Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão...

Carlos Drumond de Andrade

sábado, 31 de outubro de 2009

A pedidos ... Flor

"É o cão que humaniza o homem e não o contrário". Por isso, desconfio dos que não gostam e abomino os que são capazes de maltratá-los...
Atendendo a inúmeros pedidos apresento a nossa Flor que, há quase cinco anos, enche a casa de alegria, tornando-a um  lugar para onde sempre queremos voltar.
É impossível resistir a esses olhinhos brilhantes que nos conhecem como ninguém, à sua alegria contagiante, capaz de afastar qualquer tristeza, e à sua lealdade incondicional, tão rara na espécie humana...
Como se tudo isso não bastasse, ainda se acha responsável pela segurança da casa e cumpre à risca seu papel de doce guardiã...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Orgulho

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1148588-7823-CONGRESSO+SOBRE+PRODUCAO+DE+CARNE+SUINA+E+REALIZADO+EM+UBERLANDIA,00.html

Meu marido dando entrevista na Globo!!! Que orgulho!!!

Os livros da minha infância



Minha paixão pelos livros, e não apenas pela leitura, começou cedo. Quando menina, eu facilmente trocava uma brincadeira de bonecas ou de rua por um cantinho quieto onde eu pudesse me transportar para as estórias dos livros que eu lia...
Alguns livros, que eu ainda guardo para dar de presente aos filhos que um dia terei, foram especialmente marcantes em minha infância, e é deles que pretendo falar um pouquinho...

O mais querido de todos é Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Tudo começa quando um certo dia, na beira do rio, Narizinho e Emília conhecem um besouro de casacão e o Príncipe Escamado, Rei do Reino das Aguas Claras, e vão viver uma grande aventura no fundo do rio. Lá conhecem Dona Carochinha , o Pequeno Polegar, Dona Aranha, a costureira das fadas, e Doutor Caramujo, capaz de tudo curar. Foi nessa estória também, que a Emília toma uma pílula mágica e começa a falar. Lí também as Caçadas de Pedrinho, Memórias da Emília e o Picapau Amarelo.

Existia também uma coleção de livros chamada Vagalume, da qual tenho vários exemplares. Sou apaixonada por Zezinho, o Dono da Porquinha Preta, que conta as aventuras de um garoto para que sua querida porquinha não virasse um apetitoso banquete. Tinha também as Aventuras de Xisto, O Escaravelho do Diabo, O Feijão e o Sonho, O Mistério do Cinco Estrelas, O Rapto do Garoto de Ouro, Spharion, Um Cadáver Ouve Rádio.

Não há como não falar do Pequeno Príncipe, que hoje eu considero uma leitura muito adulta, embora relate as fantasias de uma criança como qualquer outra, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade.

Como esquecer do Menino Maluquinho, que tinha o olho maior que a barriga, fogo no rabo, vento nos pés e só tirava nota 10, exceto por um zerinho, num tal de "comportamento"...

domingo, 25 de outubro de 2009

Salve Jorge!


Hoje fui, mais uma vez, vítima da violência que assola o nosso País.
Segue mais uma vez a oração de São Jorge que, ao lado de Deus, é o responsável por eu estar viva e ilesa.

Chagas abertas, Sagrado Coração, todo amor e bondade. O sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo no meu corpo se derrame hoje e sempre.



Eu andarei vestido e armado, com as armas espirituais de São Jorge. Para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal.


Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Porque eu estou vestido com as roupas e as armas de São Jorge


Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua Santa e Divina Graça, a Virgem Maria de Nazaré me cubra com o seu Sagrado e divino manto, me protegendo em todas minhas dores e aflições, e Deus com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor, contra as maldades de perseguições dos meus inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, e em nome da falange do Divino Espírito Santo, me estenda o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências. Que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar.


Assim seja com o poder de Deus e do Divino Espírito Santo.


Amém.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Amores possíveis



A mais bela história de amor de todos os tempos, entre um grão de areia e uma estrela, cujo resultado é poeticamente surpreendente e foi contado por Paulinho Soledade e Marino Pinto, na voz de Dalva de Oliveira.


Uma das mais belas músicas do cancioneiro nacional.

Sem limites...

"Não me deixe viver o que posso,
Que me seja permitido desaprender os limites..."
CARPINEJAR

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A evolução (ou a falta dela) humana...


"O homem veio do símio./ Acho isso lindo. / Mas têm alguns/ Que ainda estão vindo."
Millor Fernandes


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Como se fosse a primeira...

Saiu hoje a edição de outubro/novembro da revista Leite Integral da qual, para aqueles que não sabem, sou a editora-chefe.

Pode parecer incrível, depois de quase cinco anos, mas a cada nova edição os sentimentos se repetem, como da primeira vez...
Primeiro, uma ansiedade louca de rasgar o pacote, ver a capa, folheá-la compulsivamente.
Depois, aquele cheirinho de papel recém-impresso que inebria os sentidos. Não raras vezes, os olhos se enchem de lágrimas...
Como em toda paixão, existem as insatisfações, mas como em todo grande amor, a busca incessante pela perfeição...

domingo, 18 de outubro de 2009

Top 10 - Os filmes da minha vida...


De tirar o fôlego - Cena de Brilho Eterno

Amo cinema e fazer uma lista de apenas 10 é um grande exercício de escolhas e renúncias...

1) Brilho eterno de uma mente sem lembranças (o meu preferido de todos os tempos, sem palavras...)

2) O fabuloso destino de Amélie Poulain (delicioso, apaixonante, Paris...)

3) Piaf - um hino ao amor (uma história que marca a alma para sempre...)

4) Uma mente brilhante (para todos que se interessam  pelos mistérios da mente humana, inesquecível...)

5) Crash - no limite (uma revisão dos nossos conceitos de certo e errado, dependendo dos contextos...)

6) Trilogia das cores - A igualdade é branca, A liberdade é azul, A fraternidade é vermelha (a vida passada a limpo...)

7) O advogado do diabo (no que a vaidade é capaz de nos transformar...)

8) A vida é bela (lição de otimismo força e, principalmente amor...)

9) Irina Palm (fantástico, fala de uma doação que só é possível por amor...)

10) Milk - A voz da igualdade (o mais novo da lista, maravilhoso, fala da bestialidade do preconceito...)

Adoooooooro!!!

http://www.goear.com/listen/b5a0b58/Rosas-ana-carolina

Nostalgia

Minha amiga Nadja me mandou uma mensagem perguntando se eu tenho andado meio nostálgica.
Respondí que achava que não, mas sem muita certeza...
Fiquei pensando no assunto e descobrí que tenho, sim, sentido saudades de muitas coisas. Aliás, morro de saudade de vários momentos da minha vida. Inclusive, a mensagem da Nadja me fez recordar de um período entre 1999 e 2003, mais ou menos, quando fizemos mestrado e uma parte do doutorado juntas e vivemos estórias que dão um livro... Qualquer dia eu conto (as que não são proibidas) aqui no blog.
Resolví, então, entender um pouco mais a minha "diagnosticada" nostalgia. Descobrí que ela não é exatamente um desejo de voltar atrás, de achar que a vida era melhor antes. "Minha saudade é diáspora". São os amigos, as festas, as viagens, as paixões avassaladoras, as conversas "fiadas".
É o sorriso da minha mãe...
É perceber que não é possível congelar nenhum momento do tempo.
"Minha saudade é essa vontade de ficar junto, de ficar mais, de parar o tempo para que a gente não precise se separar nunca..."

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Perfume

Os seguidores de @grandesfilmes no Twitter iniciaram ontem uma discussão sobre o filme Perfume de Tom Tykwer, adaptação do livro homônimo de Patrick Suskind.
Acredito que filmes e romances não foram feitos para ser entendidos, mas sim sentidos... E Perfume é um excelente exemplo da minha crença. Várias pessoas dizem que o final do filme é ruim. Longe de querer interpretá-lo, gostaria de deixar o meu sentimento...  O grande objetivo de Grenouille durante todo o enredo foi extrair a verdadeira "esssência" da alma feminina; aquilo de mais belo e totalmente irresistível. A beleza é representada pelo perdão de algo "imperdoável" como o assassinato de uma filha. E, exatamente por ser irresistível, a essência causou nas pessoas reações típicas da paixão - descontrole, embriaguês, sofreguidão, representadas pela cena tão criticada de sexo coletivo e pelo canibalismo que deu fim a Grenouille.
Eu, particularmente, adorei livro e filme e recomendo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Uma joaninha...

Sempre adorei as joaninhas. Já viu como são lindos os seus singelos vestidinhos de poás? Dizem também que são mensageiras da boa sorte para aqueles que elas usam como pista de pouso. Por isso, nem acreditei quando uma delas entrou voando pela janela do escritório e pousou na minha mão esquerda enquando eu digitava.
Estou vivendo uma semana particularmente especial na minha vida profissional e estou tendendo a acreditar que mais coisas boas vêm por aí...
E a joaninha... continua por aquí.

Salve Jorge!!!

Sou devota e apaixonada por São Jorge. Sua oração é poderosíssima e eu rezo desde menininha.

Oração de São Jorge


Chagas abertas, Sagrado Coração, todo amor e bondade. O sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo, no corpo meu se derrame hoje e sempre.


E eu andarei vestido e armado com as armas espirituais de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, e nem pensamentos eles possam ter para me fazer mal.


Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.


Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça. Virgem de Nazaré me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.


Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.


Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.


São Jorge, Rogai por Nós.


Amém.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A carne ética ou a rúcula santa

Adorei a coluna de Luiz Felipe Pondé na Folha de hoje. Também tenho desenvolvido um horror peculiar por pessoas "conscientes". Assistí uma manifestação em Madri, em frente a uma loja do Mc Donalds, com cartazes mostrando a "crueldade" de se abater animais para consumo humano. Várias campanhas feitas por completos ignorantes preconizam a ausência de proteínas de origem animal na alimentação humana. Os imbecis são capazes de dizer que leite de vaca é alimento para bezerro e que faz mal à saúde!
Pondé pergunta "por que essas pessoas conscientes não falam dos direitos das rúculas em continuarem, de forma singela, a fazer fotossíntese? Onde está a consciência deles quando torturam seres inocentes como as beringelas, trituradas entre nossos dentes horrorosos?" Segundo ele, somos monstruosos porque somos parte da natureza, que não é um mar dócil, mas sim um espaço de violência.
Se dependêssemos desses "conscientes", não teríamos sobrevivido à seleção natural, pois teríamos caído paralisados diante da necessidade de matar para sobreviver. Além disso, grande parte do desenvolvimento cerebral da espécie humana ocorreu devido ao consumo de proteínas de origem animal, mais especificamente, de carne, quando nossos ancestrais começaram a caçar. Talvez isso explique a burrice dos "conscientes".
Então, "o que escolher? A carne ética ou a rúcula santa?"

domingo, 11 de outubro de 2009

Fantasma sai de cena

Acabo de ler Fantasma Sai de Cena, de Philip Roth. Comprei esse livro há uns 4 meses junto com outros de uma lista de "leituras obrigatórias" que eu faço de tempos em tempos. Confesso que o tema me deixou um pouco angustiada e ele foi o último a ser lido. O autor apresenta a velhice de maneira tão real que dá para sentir o seu cheiro, uma mistura de talco e roupa guardada há muitos anos...  Faz pensar em como deve ser difícil conciliar as limitações de um corpo com os desejos ilimitados da mente. Seria melhor que tudo envelhecesse ao mesmo tempo? Ou doeria menos fugir e se esconder daquilo que a velhice nos torna incapaz?

Piscando sem parar...

" A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais.[...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
[Emilia - Monteiro Lobato]